Novo pacote fiscal da habitação cria oportunidade histórica para investimento em Build to Rent em Portugal
Entre as várias medidas previstas destacam-se a redução da tributação sobre rendimentos prediais, incentivos fiscais à construção e reabilitação e a criação de regimes específicos como o Regime Simplificado de Arrendamento Acessível (RSAA) e os Contratos de Investimento para Arrendamento (CIA).
Este conjunto de iniciativas surge num momento em que a escassez de oferta habitacional é evidente e em que o mercado necessita de soluções estruturais que permitam aumentar o número de casas disponíveis para arrendamento.
Portugal pode finalmente assistir ao crescimento do Build to Rent
Pela primeira vez em muitos anos, estão reunidas condições para que o modelo Build to Rent, projetos concebidos de raiz para arrendamento, possa ganhar verdadeira dimensão no mercado nacional.
Este modelo, já amplamente desenvolvido em vários países europeus, permite:
-
aumentar rapidamente a oferta de habitação
-
atrair investimento institucional
-
profissionalizar a gestão do arrendamento
-
criar maior estabilidade no mercado residencial
A criação de incentivos fiscais específicos para investimento em arrendamento representa um sinal claro ao mercado de que Portugal pretende tornar-se mais competitivo na captação de capital para este segmento.
O papel estratégico dos Contratos de Investimento para Arrendamento (CIA)
Dentro deste pacote legislativo, o regime dos Contratos de Investimento para Arrendamento (CIA) assume particular relevância, ao prever benefícios fiscais na aquisição, construção e exploração de imóveis destinados ao arrendamento habitacional.
Este instrumento poderá tornar-se decisivo para:
-
promotores imobiliários
-
empresas patrimoniais
-
fundos de investimento
-
investidores de médio e longo prazo
Contudo, importa sublinhar que o regime carece ainda de regulamentação através de decreto-lei, sendo fundamental que essa regulamentação seja:
-
clara
-
eficaz
-
operacional
-
publicada em tempo útil
A concretização destas medidas será determinante para transformar o atual enquadramento legal em investimento real no terreno.
O tempo é um fator crítico
Portugal enfrenta um défice significativo de oferta de habitação para arrendamento e está atrasado face a outros mercados europeus na implementação de políticas estruturais que incentivem o investimento residencial.
Projetos de Build to Rent exigem previsibilidade fiscal, rapidez nos processos urbanísticos e estabilidade legislativa. Sem estas condições, o capital internacional tenderá a direcionar-se para mercados mais maduros.
O novo pacote legislativo representa, assim, uma oportunidade única para acelerar a criação de oferta habitacional, desde que as medidas sejam regulamentadas de forma célere e eficaz.
Conclusão
Estamos perante um momento potencialmente decisivo para o setor imobiliário em Portugal.
Se o regime dos CIA for devidamente regulamentado e aplicado com pragmatismo, o país poderá finalmente assistir à entrada em força do investimento institucional no arrendamento, contribuindo para aumentar a oferta, estabilizar preços e tornar o mercado mais sustentável.
Mais do que nunca, o sucesso destas políticas dependerá da capacidade de execução e da rapidez com que o enquadramento legal se traduz em projetos concretos.